Ontem, hoje e amanhã. Três palavrinhas simples, mas de grande importância em nossas vidas. Se pararmos para observar atentamente os nossos pensamentos, veremos que eles estão, na maior parte do tempo do hoje, focados no ontem ou no amanhã. Sim, nosso cérebro adora relembrar ou planejar, mas raramente foca o agora, o hoje.
O ontem, o passado, é cheio de experiências muitas vezes interessantes, algumas vezes tristes, noutras vezes drásticas e doloridas ou outras cheias de alegria e felicidade intensas. O que somos hoje é um resultado do que vivemos no passado. Carregamos essas experiências. Carregá-las é útil, pois podemos evitar erros ou situações desagradáveis. Mas, jamais podemos viver no passado ou deixar de viver alguma coisa por causa dele, com medo de que algo ruim que um dia tenha acontecido, aconteça novamente. O que aconteceu ficou lá atrás. Não existe mais.
O amanhã, o futuro, assim como o passado, não existe. Temos a estranha mania de planejá-lo, como se pudéssemos controlá-lo, como se houvesse uma fórmula matemática que nos dissesse que ingerindo tal alimento, mais caminhando para a esquerda durante duas horas, multiplicando isso pela força de vontade, teríamos como resultado um futuro plenamente feliz e cheio de saúde. Nos enganamos diariamente com essas fórmulas da felicidade que são distribuídas por aí. Compramos revistas, assistimos a programas de televisão com diversas receitas e nos esquecemos de algo bem importante, o presente.
Sim, o presente é esquecido completamente quando nos distraímos com as feridas do passado ou com as angústias do futuro. Esses tempos virtuais, inexistentes, nos trazem sentimentos muitas vezes cruéis. O passado trás melancolia, saudade, tristeza, dores, medo. Pensar no futuro é angustiante, gera ansiedade e claro, medo, muito medo, pois não fazemos idéia do que vem por aí. E como gostaríamos de saber!
A única coisa que existe na nossa vida e que ignoramos é o presente. O agora. Esse momento que passa rapidinho, mas que é o único verdadeiro. Quando eu escrevi o agora aí na linha de cima, ele virou passado imediatamente. A produção das primeiras linhas deste texto já é passado. Se conseguirmos deter nosso cérebro no agora, evitaremos sofrimentos desnecessários.
Fazer do agora, do presente, um momento feliz, prazeroso, em que possamos plantar coisas boas, regá-las, talvez seja a melhor receita da harmonia da nossa alma, do nosso ser, do nosso corpo. Por exemplo, se desejamos realizar uma viagem no futuro, é no agora que ela começará. No hoje você pode verificar valores de passagens, lugares bons para ficar, visualizar fotos e se informar do clima do lugar. Pode pensar nas pessoas que você quer convidar para acompanhá-lo. Tudo isso feito com alegria. Não espere ter dinheiro para começar a sentir o prazer da viagem. Ele começa no momento que teve a idéia. Agora, se você começar a pensar no que pode acontecer na viagem, de bom ou de ruim, planejar cada passo, determinar horários, criar expectativas errôneas, você terá chances imensas de voltar do lugar muito frustado. Porque seu cérebro quis controlar o incontrolável. Imaginou coisas que podem não acontecer.
Se você se deixar viver o que realmente está acontecendo, no agora, naquele momento, poderá sentir de verdade a viagem, o trabalho, o dia-a-dia, as refeições, os verdadeiros sentimentos, as músicas o que tiver que ser vivido.
Acredite que é no agora que tudo acontece. Portanto, realize, imagine, curta a imaginação, vivencie o agora. Que o futuro, realmente, a Deus pertence, jamais poderemos controlá-lo. Desista disso. O passado, bom, passou, não é mesmo? Ficar preso a ele é um grande erro. Portanto, viva o agora! Agora, agora, agora!
Espaço dedicado a textos reflexivos sobre nossa condição de seres humanos num planeta um tanto complexo. Compartilharei aqui conhecimentos adquiridos na vida, nas sessões de terapia, nas mesas de bar, nos intervalos para o café durante o trabalho e nas reuniões com os amigos, com ou sem álcool.
1 comentários:
Excelente!!!
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